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Literatura

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Kawany Máximo

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── Está triste por que não ganhou o 1° Lugar no concurso? ── Ele olhou para o desenho em meu diário.

── Não. Estou feliz por ter ganhado em segundo lugar ── Balancei a medalha que se mantinha em meu pescoço. ── A menina mereceu o 1° lugar

── Você merecia querida ── Ele sorriu e novamente foi atender o celular.

Riverside é a minha cidade Natal. É aonde se mantém a minha história por cada cantinho, é onde criei meus dois melhores amigos, que por falar estou morrendo de saudades. Minha mãe deve estar trabalhando nessa exato momento, e não parou de me mandar mensagens desde que peguei o avião. Desde os meus 12 anos somos somente eu e ela juntas. Já que meus pais nem tiveram tempo de pensar em ter outra criança na casa. Por um lado eu penso que talvez tenha sido melhor, minha mãe não teria tempo de cuidar de uma criança pequena sozinha, ela trabalha demais em seu estabelecimento comercial.

Assim que chegamos bem próximo a minha rua, fechei meu diário o colocando dentro da mochila. Não vejo a hora de deitar na minha cama e explorar meu quarto, meu pai abriu a porta pra mim e logo a porta de casa também foi aberta, minha mãe saiu de lá com o cabelo amarrado em um coque e sua roupa jardineira que a deixava com um grande charme, ela estava linda como sempre e suspeito que tenha se arrumado toda para meu pai. A mesma desceu as escadas da pequena varandinha e veio me abraçar. O abraço é tão bom e apertado, aquele abraço de mãe, o cheiro de rosas que vinha do cabelo da mesma me fez soltar um meio sorriso.

── Mãe... agora você pode me soltar ── Falei com certa dificuldade, ela estava me amassando como uma sardinha. ── Não vou a lugar nenhum 

── Senti tanto a sua falta minha filha ── Ela sorrio finalmente me soltando. ── Está mais morena, pegou muito sol?

── Você nem imagina... ── Eu soltei um riso olhando pro meu pai que sorria também. ── Não quer entrar Pai?

Minha mãe e o mesmo se entreolharam. Aqueles olhares de pais, então percebi que isso era uma resposta para um não.

── Preciso voltar Elle ── Então retirou minhas duas malas do porta malas. ── Não vai se despedir do paizão?

Eu não queria fazer isso. Dói demais vê-lo partir mais uma vez, nunca vou me acostumar com isso.

── Promete ser um bom menino? ── O abracei e o mesmo me levantou quase no ar me deixando na ponta dos pés. ── Não vai esquecer de tomar seu remédio para ansiedade!

── Vou ser sim ── O mesmo beijou minha testa ── Não vou esquecer, eu prometo. ── Então sorrio ── Se cuida, você também Elle

── Eu sei me cuidar muito bem ── Soltei um sorriso de lado. ── Obrigado por tudo, obrigado por ser o melhor paizão do mundo!

── Eu sei que sou ── Ele riu desfazendo o abraço. ── Tchau Mary 

── Tchau ── Minha mãe tirou a mão do bolso da jardineira e acenou com um meio sorriso.

Então ele entrou no carro e sumiu virando a esquina, ele tem alguns negócios pra resolver com um novo gerente aqui na cidade. Respirei fundo olhando pra minha mãe, então pegamos as malas e entramos em casa. Como senti falta da nossa casinha! Cada cômodo que passo eu sorrio feito uma boba. Meu quarto está do mesmo jeito quando deixei, minha mãe insistiu em me fazer desfazer as malas, se dependesse eu enrolaria até o próximo natal então juntas desfazemos enquanto ela me contava as fofocas do bairro. Minha mãe é bem conhecida por toda a cidade, por ter a lanchonete mais famosa pelos habitantes o 'Drivin' é aonde eu a ajudo sempre quando posso e tenho tempo. Assim que terminamos, fui direto tomar meu banho, fiquei um período ali de baixo do chuveiro apenas pensando na vida. Até três batidas na porta me fazer acordar pra vida e sair de baixo do chuveiro, coloquei um pijama e quando abri a porta fui recebida por uma almofada na cara. Fechei os olhos já sabendo que seria o dono do brilhante.

── Eu vou te matar Zack! ── Eu ri devolvendo a almofada. ── Quem te chamou pra vim aqui mesmo?

── Também senti a sua falta Elle ── Ele riu me abraçando. Ah como eu amo esse menino! ── Trouxe um presente na mala pra mim não é? 

── Não meu querido ── Revirei os olhos enquanto passo a escova em meu cabelo. ── Nem lembrei de você lá 

── Como pode? ── Zack fez uma cara magoada. ── Pelo poderes dos meus cachecóis, você será amaldiçoada!

── É sério? ── Soltei um riso fingindo espanto. ── Claro que trouxe né bobinho 

Fui até a estante e retirei uma sacola e o entreguei. Eu sabia que ele amaria, Zack nunca recusaria camisas polo ainda mais floridas.

── Amei, obrigado! ── Fiquei satisfeita vendo o quão ele havia mesmo gostado. ── Sabe, então me conte o que aconteceu no tal Brasil

Havia muitos casos para contar. Então nós sentamos em cima das telhas da varanda, sempre foi assim, parece que aquele cantinho é mágico demais. Zack sabe que eu tenho uma certa curiosidade quanto o que ocorreu durante o período que estive fora, e como sempre ele sabe de tudo em mínimos detalhes. Abracei os joelhos sentindo o vento bater em meu rosto e então olhei pra vizinhança, são pouquinhas casas iluminadas. 

── Meu pai está pegando muito no meu pé ── Zack me olhou com certa dificuldade. ── Ele quer que eu seja um jogador profissional em Lacrosse

── Você não leva jeito pra isso ── Sorri descontraída. ── Talvez seja porque ele é o diretor, e maioria dos diretores tem filhos com uma carreira em algum esporte 

── Eu quero fazer Design ── Zack respirou fundo deitando a cabeça em meu ombro. ── Você sabe que ele não sabe 

── Eu sei Zack ── Entrelacei nossas mãos. ── Você tem que contar 

── Como se ele nem me ouve? ── Isso é totalmente verdade. ── Tudo que ele quer é uma imagem pra si mesmo 

── Não precisa ser agora meu bem ── O abracei e o trouxe de volta pra perto de mim. ── Se precisar eu vou estar aqui do seu lado, mas quero que se abra... quero que seja você mesmo 

Zack apenas balançou a cabeça e então ficamos ali vendo as estrelas no céu, uma troca de suspiros de cada um em silêncio. Conheço Zack desde que entrei no jardim de infância. No começo de tudo ele era meu vizinho, mas se mudou quando perdeu a mãe e o pai foi promovido a diretor do colégio, convivi as fases dele... e pretendo conviver todas.

── Vi meu pai selecionando os professores para cada turma ── O mesmo quebrou o silêncio. ── E adivinha?

── Me diga ── Sorri o olhando por um tempo.

── Vamos ficar com o professor Erick de Biologia! ── Ele quase bateu palmas. ── Sabe o que isso significa?

── Que você vai ver ele todos os dias ── Baguncei o cabelo dele. ── Zack não acha que tá na hora de parar de crushar o professor?

── Não! ── O mesmo fez uma cara ofensiva que me faz rir pra caramba.

Ficamos ali até um pouco mais tarde rindo e conversando sobre tudo e todas as coisas possíveis e impossíveis. Zack ama The Vampire Diaries e eu também. Então combinamos de rever tudo em algum final de semana, todos os fins de semana estamos um na casa do outro e quando não estamos quase nos matamos pra estar. Olhei para o meu uniforme pendurado em um cabide logo no enfeite do espelho, as aulas começaram amanhã e nem ao menos tenho vontade de ir, mas quero rever alguns professores e não aguento mais esperar as aulas de natação também, se tem um lugar que eu mais amo é a área da piscina. 

O colégio que estudo foi fundado por um Brasileiro que fez um acordo com o presidente do país. O intuito desde 1977 é acolher os brasileiros intercambista que se sentem deslocados, seguimos o ano letivo das escolas do Brasil e para mim é uma honra poder ter a oportunidade de estudar em um país que eu amo visitar! Então foi assim que o meu pai conheceu a minha mãe! Um intercâmbio que além de ter dado certo para a carreira de estilista, ainda trouxe um amor épico que formou a minha família.

Querida, Pequena Vida 

Digamos que a viagem foi tranquila, exceto a parte que tenho medo de aviões, mas nada que uma boa leitura e uma música não me faça viajar para outras dimensões. Hum, mais um desenho não muito criativo e mal feito, preciso de inspirações. Enfim, mas uma vez Estou preocupada com Zack, o mesmo ainda não contou ao pai e ainda tem um crush pelo professor de Biologia, ele é gato não vou mentir, mas acho que ele não joga no mesmo time que Zack, e é bem mais mais velho.. Não quero o ver magoado. Então é isso.

Sobre a autora :

Kawany Maximo nasceu em Divinópolis-MG. A divinopolitana de 17 anos é mais uma amante por livros e a escrita desde os seus 11 anos de idade. Ela começou todo esse carinho se divertindo com as palavras enquanto escrevia pequenos contos para suas amigas de infância, até que um dia se decidiu com apoio de sua família e amigos começar publicar online pela plataforma digital do Wattpad. 

Cursando o terceiro ano e com 7 mil visualizações de leituras. A cada dia ela sonha mais alto, sem desistir de publicar em alguma editora o seu primeiro livro da trilogia "Querida, pequena vida" um romance clichê que conta uma história vivida por adolescentes.

Instagram : @kawanymaximo

Email :Kakaw39771@gmail.com