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Com alegria e sem ousadia, Meghan Trainor faz pop à moda antiga

09/09/2015

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Meghan Trainor tem mais sucessos guardados na manga plus size que "All about that bass". Essa é a primeira conclusão ao ouvir o disco de estreia "Title", após estourar o hit que exalta a beleza acima de padrões de peso, com razão e charme. Mas isso não significa esperar surpresas. O disco completo, após EP de mesmo nome, é bem produzido e tem seu apelo. Mas vai pouco além do que mostrou na faixa mais conhecida: arranjos anos 50 e 60 - doo-wop, soul - e letras de "menina normal".

"Lips are moving", segundo single, tem palmas, baixo trepidante e tecladinho quase idênticos aos de "All about that bass". Também vai bem nas paradas. Faz dançar, mas é um balanço seguro, sem ousadia. A balada "Like I'm gonna lose you", com participação de John Legend, é outra que grudaria fácil nas rádios. Não há nada fora do lugar: são 11 faixas de pura diversão genérica.

Enquanto Katy Perry monta tigres e dança com tubarões, Lady Gaga é Lady Gaga e até Taylor Swift se rende ao eletrônico à la Lorde, Meghan Trainor faz um som orgânico e certinho, que não seria muito inovador há 40 anos. "Dear future husband" e "Title" têm o papo de compromisso, casamento e relação tradicional que não se espera de uma cantora de 21 anos em 2015.

Mesmo com uma boa voz, as baladas soul ficam devendo nas letras, de romantismo bobinho. Às vezes parece uma Amy Winehouse que ainda não se apaixonou de verdade. Não espere nada profundo da autoajuda de "Close your eyes" ou das boas brincadeiras sobre bebida de "3AM" e "Walkashame" - mas pode ouvir e dançar sem susto.

O único traço de algo contemporâneo são os estranhos arroubos de rap, como em "Bang them sticks". Essa é de longe a faixa mais surpreendente. Meghan faz trocadilhos com "baquetas grandes" e escancara a sensualidade moderada de "All about that bass". Talvez se soltar mais seja um caminho interessante para ela. A garota tem boa voz e tino para bons refrãos, mas não foi dessa vez que passou da média.