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Marcelo Yuka morre aos 53 anos

21/01/2019

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O músico Marcelo Yuka morreu na noite desta sexta-feira (18) aos 53 anos. O artista estava internado no Hospital Quinta D'or no Rio de Janeiro, desde dezembro em coma induzido e apresentou um quadro de infecção generalizada decorrente do sofrimento de um AVC - o segundo que ele teve recentemente.

Yuka, que ficou conhecido por ter sido o baterista e principal compositor d'O Rappa em seu período de maior sucesso e criatividade, estava com a saúde bastante debilitada. O músico, que ficou paraplégico em 2000 depois de ter levado nove tiros quando tentou impedir um assalto a uma mulher, já havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral em agosto do ano passado.

Marcelo Fontes do Nascimento Viana de Santa'Ana nasceu em 1965 e ajudou a fundar o Rappa em 1993. A banda teve uma origem inusitada, já que foi ela formada às pressas para acompanhar o músico Papa Winnieem uma série de shows. Como a química entre eles se mostrou forte, Yuka (bateria), Marcelo Lobato,(teclados) Xandão (guitarra) e Nelson Meirelles (baixo, pouco depois substituído por Lauro Farias) foram atrás de um vocalista e seguiram em frente.

Com a chegada de Marcelo Falcão a banda, batizada de O Rappacomeçou a chamar a atenção com sua mistura de reggae, hip hop e rock e letras de forte teor social e politizado.

O álbum de estreia, "O Rappa", de 1994, não estourou nacionalmente, mas chamou a atenção da imprensa e rendeu canções que se tornariam importantes na história da banda e do rock brasileiro daquela década como "Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro" ou a versão para "Candidato Caô Caô" de Bezerra da Silva.




O sucesso chegou mesmo com "Rappa Mundi" de 1996. Deste trabalho saíram os hits "A Feira", "Miséria S.A" e, especialmente "Pescador de Ilusões".



O disco que colocou o grupo de vez na história da música brasileira foi o seguinte. "Lado B, Lado A" de 1999 dosava experimentalismo com apelo pop e captou o clima do momento, com toda a ansiedade causada pela próxima chegada de um novo milênio.



Eleito um dos 100 grandes discos da nossa música pela edição brasileira da Rolling Stone, o álbum marcou e gerou dois hits eternos: "Me Deixa" e "Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)", que ganhou um clipe igualmente fundamental, que abriu caminho para o filme "Cidade de Deus" - o vídeo foi dirigido por Katia Lund, e foi por causa dele que o cineasta Fernando Meirelles a convidou para co-dirigir o longa que alcançou sucesso global.



Os tiros que paralisaram Yuka também abalaram a banda. Ele seguiu com o grupo, trocando de posição com Lobato, que foi para a bateria, enquanto ele assumiu os teclados. Mas, pouco tempo depois, uma série de desentendimentos com os demais integrantes fizeram com que Yuka deixasse o grupo. A banda seguiu fazendo shows e gravando de forma mais esporádica - foram três álbuns de estúdio entre 2003 e 2013. No ano passado eles entraram em "hiato por tempo indeterminado".

Marcelo montou o F.Ur.T.O, que lançou um disco em 2005, e se dedicou cada vez mais ao ativismo social. Sua vida inspirou um documenário ("No Caminho das Setas", 2011, disponível no YouTube)e a biografia "Marcelo Yuka – Não Se Preocupe Comigo" escrita junto com o jornalista Bruno Levinson de 2014.

Yuka era filiado ao PSOL e concorreu à vice-prefeitura do Rio de Janeiro em 2001 ao lado de Marcelo Freixo. Seu único disco solo, "Canções Para Depois do Ódio", que contou com diversas participações especiais, saiu em 2017.


Fonte:https://www.vagalume.com.br/news/2019/01/19/marcelo-yuka-morre-aos-53-anos-ouca-os-discos-mais-importantes-do-fundador-do-rappa.html


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